A primeira pessoa a ser vacinada no Brasil, garantindo 50,38% de eficácia contra a Covid-19


Em parceria com o Instituto Butantan, a CoronaVac, vacina desenvolvida através da vacina chinesa, Sinovac, beneficiará a primeira pessoa no Brasil, que será Mônica Calazans. Moradora de Itaquera, zona leste da capital paulista, é enfermeira do Hospital Emílio Ribas, trabalha na UTI em dias alternados, em escalas de 12 horas, em um setor de 60 leitos exclusivos para pacientes de Covid-19.

Mônica é uma mulher negra que se encaixa no grupo de risco da Covid-19, sendo obesa, hipertensa e diabética. Trabalhou como auxiliar de enfermagem por 26 anos e decidiu fazer faculdade numa fase já madura, se formando aos 47 anos.

Sobre a Coronavac

A vacina é desenvolvida a partir da utilização do vírus, expondo-o a uma técnica de calor e produtos químicos para que ele não seja capaz de evoluir. Não há existência do vírus Sars-Cov-2 vivo, portanto, os riscos desse tipo de imunizante são menores.

Por que garante 50,38% de eficácia?

Na prática, esse resultado nos diz que, quem for imunizado pela CoronaVac, terá 50,38% de chance de não ser infectado pela Covid-19. Sendo 50% o índice mínimo recomendado pela OMS e pela Anvisa para aprovação.

Taxa de eficácia: a porcentagem da redução entre os casos do grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado. O Instituto Butantan obteve esses dados através da análise entre o número de casos entre os voluntários que receberam a CoronaVac e o número de infectados no grupo que recebeu o placebo (placebo é uma substância sem efeito no organismo).

Sendo assim, o grupo que recebeu o placebo manifestou 167 casos positivos, equivalendo 167 casos / 4.599 voluntários. Portanto, chegando a 50,38%.

Por que há diferença da eficácia da CoronaVac em diferentes países?

A estimativa dependerá da análise. Por exemplo, sabemos que, no Brasil, só puderam se inscrever como voluntários dos testes da Coronavac profissionais de saúde, tanto para o grupo dos que receberiam o placebo, quanto para a vacina.

A justificativa desse método de escolha dos voluntários foi explicada por Palacios, que comentou que foi uma escolha proposital, pois este grupo está mais exposto ao vírus do que outras pessoas no geral.

Dimas Covas, que é presidente do Instituto Butantan, estima que a chance de infecção nos profissionais de saúde chega a ser 5 vezes maior do que em outras classes. Por conta disso, quanto mais exposta à Covid-19 está a população, mais ela tem chance de ser contaminada, e menor será o percentual da eficácia do teste.

Coronavac no Brasil

Não se tem, ainda, um número preciso sobre quantas doses da CoronaVac estarão disponíveis para o Brasil. João Dória, governador de São Paulo, em Setembro de 2020 anunciou que receberia 46 milhões de doses após pagamento de 90 milhões. Os acordos feitos por Dória não foram divulgados na íntegra para o grande público.