quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Comitivas de voluntários se organizam para ações de limpeza


Pelo menos quatro comitivas de voluntários divulgaram a saída, na manhã desta quarta-feira (23), para as ações de limpeza do resíduo de petróleo cru que tem atingido o litoral sul de Pernambuco. Alunos da Universidade Federal de Pernambuco sairão às 9h30, do Departamento de Oceanografia, na Cidade Universitária, para a praia do Paiva. O Centro Universitário dos Guararapes, em Jaboatão, também disponibilizou um ônibus para estudantes e colaboradores da instituição.

Em parceria com empresas de transporte de aluguel, que têm colocado veículos gratuitamente à disposição dos voluntários, ONGs e movimentos ambientais do Recife saem às 8h, da praça do Arsenal, no bairro do Recife, e às 9h, da praça do Derby. O número de vagas é limitado e será preenchido por ordem de chegada. O destino é a praia Enseada dos Corais, em Cabo de Santo Agostinho, mas pode mudar de acordo com as informações mais recentes sobre as áreas atingidas.

De acordo com a Ecoassociados, desde o início das ações de limpeza de óleo nas praias, na última sexta-feira (18), em Ipojuca, mais de duas mil pessoas integraram as atividades intercaladas entre os municípios de São José da Coroa Grande e o Cabo de Santo Agostinho. “Na quinta-feira ficamos de prontidão para a sexta, quando o óleo chegou no município. O resíduo havia chegado à ilha de Santo Aleixo, então nos antecipamos. Mas existem lugares onde o trabalho ainda é precário”, aponta Arley Júnior, coordenador da associação.

Para Laísa Araújo, co-fundadora do movimento Xô Plástico, o engajamento espontâneo de civis tem sido imprescindível para a redução dos danos causados pelo maior desastre ambiental marítimo registrado no Brasil. Desde o sábado (19), a Xô Plástico mobilizou 167 pessoas para integrar ações em Muro Alto, Cupe, Itapuama e Paiva. “Cada um tem atuado como pode, pois estamos expostos sob o sol. Muitos entram na água, outros ficam na areia. [Após quatro dias] estou passando mal com o cheiro forte do óleo, ainda que utilizando proteção”, conta.

Através das redes sociais, diversos movimentos têm divulgado a ação dos voluntários e os materiais necessários para a realização do trabalho. No WhatsApp, eles comunicam os pontos mais críticos e tentam articular ações minimamente integradas. Para participar dos mutirões, a orientação é levar água e lanche. A doação de equipamentos para a proteção individual e para a remoção do resíduo também tem sido estimulada nas páginas destes movimentos (ver arte).

Diante deste cenário, a concessionária Rota dos Coqueiros, em Barra de Jangada, no município de Jaboatão dos Guararapes, liberou os voluntários do pagamento de pedágio. Para obter a isenção, no entanto, é necessário o contato prévio através do número (81) 9.9444.4312.

‘Mar contaminado’
Em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (22), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, informou que 15 navios, 1.500 homens e 48 organizações militares, além de aeronaves da Força Aérea e do Exército Brasileiro foram empregados no trabalho de redução de danos. A participação do Governo Federal no trabalho tem sido uma cobrança constante dos movimentos e ONGs que trabalham diariamente nas áreas atingidas.

De acordo com o ministro, as Forças Armadas estão acompanhando o problema desde a origem. “Desde o início de setembro a Marinha está debruçada nisso, com o efetivo, os navios e a parte técnica possível, fazendo uma investigação e atuando em relação a isso. Em seguida, foi lançado o Plano Nacional de Contingência que está sendo seguido. Providências estão sendo tomadas”, garantiu.

Na terça-feira (22), militares do Exército e Marinha atuaram na praia de Itapuama, no município de Cabo de Santo Agostinho. Voluntários do movimento Xô Plástico cobram ações mais significativas. “Pedimos ajuda do Exército para ajudar os voluntários a retirar um óleo muito pesado e eles informaram que não podiam entrar dentro da água. É absurdo eles irem para ficar olhando as pessoas dentro da água”, reclamou Laísa Araújo, co-fundadora do movimento.

Procurado pela Folha de Pernambuco, o Exército informou que a ação é coordenada pela Marinha do Brasil e que a orientação é de realizar o trabalho de retirada do resíduo na areia, durante a maré baixa, pela toxicidade do material. “Entrar no mar é mais um perigo. O material tem de chegar na areia para ser retirado, essa é a orientação para preservar a saúde da própria pessoa. É um material muito tóxico e nocivo à saúde, o próprio mar está sendo contaminado com o óleo”, explicou o coronel Marcos Antônio, assessor do Exército.

Também procurada, a Marinha em Pernambuco disse que só poderá se comunicar por meio de entrevista coletiva, em virtude de ser um incidente de proporção nacional. Por meio de nota, informou que “a Marinha do Brasil e seus integrantes seguem firmes no propósito de cumprir suas obrigações e conscientes da importância de sua contribuição para a sociedade brasileira”.


Fonte: Folha PE