terça-feira, 7 de maio de 2019

Com déficit de 16%, Imip, no Recife, aguarda doação de leite

O banco de leite do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), que serve à maior UTI neonatal do Norte e Nordeste e é referência no Brasil, espera um aumento no número de doações durante o mês de maio

Com um atual déficit de 16% no estoque de leite materno, o banco de leite do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), que serve à maior UTI neonatal do Norte e Nordeste e é referência no Brasil, espera um aumento no número de doações durante o mês de maio.

Isso graças ao Dia Mundial de Doação de Leite Humano, comemorado todo 19 de maio, e que é o marco da campanha que visa incentivar não somente a doação do alimento, mas também a promoção do aleitamento materno. “Aqui no banco do leite a gente coleta, processa, faz controle de qualidade, distribui para crianças prematuras extremas, doentes. A gente usa esse leite para salvar vidas. Então é necessário falar sobre a importância do papel de quem doa”, ressalta a pediatra e coordenadora do banco de leite do Imip, Vilneide Braga.

De acordo com a médica, o leito humano é capaz de diminuir em até 58% as chances de um recém-nascido desenvolver, por exemplo, doenças como a enterocolite necrosante, que promove uma alteração no intestino do bebê e pode levar a óbito. “É uma doença muito séria que tira muitas vidas de nascidos prematuros e que podem ser beneficiados com o leite humano”, continua a pediatra.

Ela explica, ainda, que uma mãe para ser doadora precisa seguir algumas normas nacionais da Rede Brasileira dos Bancos de Leite Humano. “Primeiro ela precisa estar amamentando. Também precisa ser uma pessoa sadia.” São analisados todos os exames feitos no pré-natal, não pode estar usando remédios que não são compatíveis com a amamentação e nem pode estar doente. “O excedente é que vai ser doado.”

Registrada, caso a mãe more no Recife e Região Metropolitana, ela conta ainda com o serviço de delivery oferecido pelo Imip. “Um funcionário nosso vai de moto na casa delas recolher o leite já ordenhado. A gente faz toda uma orientação sobre a estocagem do alimento”, explica Vilneide Braga.

O leite precisa ser armazenado em potes de vidro de café solúvel, com tampa de rosca. Além de o vidro ser revestido por um material que impede a contaminação do leite, o pote é capaz de passar por baixas e altas temperaturas, que são necessárias para o processo de pasteurização. “A gente pede para qualquer pessoa também salvar vidas doando esses potes de café solúvel, porque nós sofremos com a escassez dos fracos.” Depois que o leite chega ao Imip e antes que seja entregue a um bebê, o leite humano passa por vários testes, a exemplo do microbiológico e do calórico.

Como este ano o dia 19 de maio cai em um domingo, o Ministério da Saúde antecipou para o dia 17 a abertura da Semana Nacional de Doação de Leite Humano, no Rio de Janeiro, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que estará em conferência com os representantes dos bancos de leite de todo o país. A abertura da Semana contará com a presença, também, do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

A enfermeira Keityane Silva vai duas vezes ao dia a uma sala disponibilizada no banco de leite apenas para as trabalhadoras do local. Ela trabalha na oncologia pediátrica e tem até 1h por dia para fazer a ordenha no local. “Eu venho fazer estoque para a minha própria filha e aproveito e doo. Isso estimula a produção de leite e foi assim que consegui amamentar minha bebê exclusivamente com leite até os seis meses e continuo amamentando até hoje, ela já com nove meses”, diz Keityane.

Banco de Leite
No banco de leite as mulheres são assistidas no pré-natal, neonatal precoce e até o pós-natal. “Elas também recebem assistência, são assistidas em relação aos problemas. São acompanhadas no egresso, entre o quinto e sétimo dia pós-parto para avaliar a pega, posicionamento, algum problema, como obstrução, mastite, entre outros problemas ligados à amamentação”, afirma Vilneide Braga. No local também são desenvolvidos estudos acerca do tema.

“Muitos artigos científicos, teses de mestrado, doutorado, tudo para discutir conhecimentos novos. É um lugar de ensino, mas também um local para capacitar equipes de profissionais de outros locais. Para ensiná-los sobre o manejo e a promoção do aleitamento materno, assim como as questões da política nacional da rede dos bancos de leite humano.” O banco de leite funciona das 7h às 12h e das 13h às 17h e as mães são atendidas por ordem de chegada.



FONTE: FOLHA PE