Falta de renda atinge 22,2% das famílias, segundo Ipea

Ipea revela alta no total de domicílios que não têm recursos oriundos do trabalho, num total de 16 milhões de casas

O desemprego continua em alta no Brasil, no Nordeste e em Pernambuco, refletindo a lenta recuperação da Economia. Mas além da taxa elevada, de 11,6%, a Carta de Conjuntura divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela um dado bastante preocupante: o aumento de domicílios sem renda decorrente do trabalho. O problema atingiu 16 milhões de casas no último trimestre de 2018, representando 22,2% das quase 72 milhões de residências do País. No último trimestre de 2017, o percentual era de 21,5% e no final de 2013, estava em 18,6%. Segundo o Ipea, estas famílias podem ter renda de programas sociais ou aposentadoria, mas não de trabalho.

Com os resultados do quarto trimestre de 2018, a taxa de desocupação nacional está em 11,6% da População Economicamente Ativa (PEA). Em Pernambuco é ainda maior: 15,45%, o que significa 650.804 pessoas desocupadas, aquelas que procuram trabalho, seja formal ou informal, e não encontram.

No Nordeste, a taxa de desocupação é a mais alta entre as regiões do País: 14,4%. Em seguida, vem o Sudeste, com 12,1%; o Norte, com 11,7%; o Centro-Oeste, com 8,5% e o Sul com 7,3%. São 12,7 milhões de desempregados. Um dado preocupante, é que 48% das pessoas procuram trabalho há mais de dois anos, um índice 15 pontos acima da média de 2013, antes da recessão. E, de acordo com Maria Andréia Parente Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, ainda será preciso esperar para voltarmos ao patamar antes da crise.

“Estamos num nível muito ruim de emprego. Não é um 2019 promissor. Mesmo melhorando, para voltar a um cenário confortável, vai demorar. Não se tira 12,7 milhões de pessoas desempregadas de um ano para outro. A gente vai melhorar, mas para estarmos num nível bom, pré-crise, é preciso um prazo um pouco maior, como 2021. A gente tem que gerar muito emprego para trazer estas pessoas de volta à ocupação”, afirma ela.

A análise leva em conta o início do ano. Em janeiro passado, o Ipea registrou aumento da população ocupada de 0,9%, menos da metade dos 2% de janeiro de 2018. No trimestre móvel, encerrado em janeiro, o Ipea mostrou retração de 1,3% na ocupação dos jovens entre 18 e 24 anos, o grupo mais afetado da população. Eles têm a menor probabilidade de contratação e a maior chance de serem demitidos. “São pessoas que não estavam no mercado e precisam ser absorvidas. É um grande desafio. Para reduzir o estoque de desocupados, a economia tem que se desenvolver rapidamente. O jovem, sem experiência, é o mais prejudicado, e fica ainda pior para mulheres jovens, com pouca qualificação”, avalia o economista Jorge Jatobá, da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento.



FONTE: FOLHA PE