sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

PSB muda rumos da eleição da Câmara dos Deputados

Legenda ajudou a tirar o PT do isolamento e bloco formado com PT, PSol e Rede pode levar a disputa pela presidência da Casa ao segundo turno

O PSB nacional decidiu, ontem, formar um bloco com o PT, o PSol e a Rede, na Câmara dos Deputados, para se contrapor à candidatura do deputado federal Rodrigo Maia, candidato à Presidência da Casa com apoio do PSL, partido ao qual Jair Bolsonaro é filiado. 

A decisão foi anunciada pelo líder socialista da Câmara, Tadeu Alencar, depois de debates intensos na legenda, um deles começando às 20h da última quarta-feira e terminando por volta das 3h desta quinta-feira. Não houve unanimidade, mas a decisão foi construída em etapas, com base, inclusive, nas alianças estaduais. 

O bloco terá dois candidatos a presidente – independentes - para se contrapor a Rodrigo Maia e forçar o segundo turno, de acordo com Tadeu Alencar. Um deles será o deputado João Henrique Caldas, o JHC (PSB-AL), o mais votado do Brasil, em termos proporcionais, o outro, o deputado federal eleito Marcelo Freixo (PSol), liderança que inspirou o filme do Bope.

O PT e a Rede não apresentaram nomes para disputar o terceiro cargo mais importante na linha sucessória presidencial. A legenda fundada por Marina Silva (Rede) está enfraquecida. E o PT, mesmo tendo a maior bancada (agora 55), estava isolado no início dos debates. A decisão do PSB ajudou a tirar legenda petista desse cenário mais uma vez, virou o jogo. Na eleição presidencial de 2018, a neutralidade do PSB no primeiro turno ajudou a campanha de Fernando Hadadd (PT). “Conversamos com todos os candidatos, mostrando que era importante para o PSB conhecer todas as possibilidades. A decisão está tomada e vamos defendê-la com todo o vigor”.

A expectativa do PSB, inicialmente, era formar uma aliança com o PDT e o PCdoB para disputar os espaços na mesa diretora da Casa e nas comissões temáticas - algo que perdurasse pós-eleição da mesa diretora desse Poder Legislativo. Os rumos mudaram, contudo, desde que Rodrigo Maia recebeu o apoio do PSL. O PSB tentou demover o PDT e o PCdoB de endossar o nome de Maia, mas não houve recuo dessas duas siglas, que mantiveram o acordo com Maia. Os blocos foram formados depois de várias negociações. Maia tem apoio das principais legendas, incluindo o PSL e o MDB e, curiosamente, o PDT e o PCdoB.

A opção por um bloco, além de tudo, tem implicações políticas. O bloco PT, PSB, PSol e Rede terá 98 deputados (19,29%) e comandará a oposição. De acordo com Tadeu, agindo em conjunto, o grupo poderá, por exemplo, pedir a verificação de quórum em determinada discussão polêmica na Câmara dos Deputados e adiar uma votação decisiva colocada em pauta pelo governo, de modo que se ganhe tempo para novas articulações. O bloco também terá uma liderança política em comum que vai comandar a chamada oposição, indicar duas posições na suplência da Mesa Diretora e cinco presidentes das Comissões Temáticas, onde todos os debates políticos sobre projetos são aprofundados. Tudo será feito de forma proporcional. O PT perdeu um deputado e tem 55.

O PSB possui 32, o PSol, 10 e a Rede, um. “É muito gratificante ver que o PSB emprestou, ao processo, a importância que de fato tem a eleição da Mesa Diretora, a formação de blocos para a disputa de espaços parlamentares, através dos quais são potencializados as ações políticas”.

Tadeu Alencar explicou que o PDT e PCdoB também farão oposição a Bolsonaro, mas não podem, regimentalmente, fazer parte do bloco anunciado. “A nossa relação com o PCdoB e PDT é excelente, mas vamos enfrentar juntos os desafios (inclusive de formar uma nova esquerda) no bloco que tínhamos imaginado”.



FONTE: DIÁRIO PE