sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

'Tá na cara que tem coisa errada aí', diz Bolsonaro sobre movimentações do governo Temer

Bolsonaro elencou algumas iniciativas que levantaram desconfiança de sua equipe em sua primeira entrevista após assumir o Palácio do Planalto, concedida ao SBT

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quinta-feira (3) que o pente fino que passa no governo de seu antecessor, Michel Temer (MDB), pode ser justificado pois "tá na cara que tem muita coisa errada".

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, havia afirmado mais cedo que o novo governo identificou "uma movimentação incomum de exonerações e nomeações e recursos destinados a ministérios" nos últimos suspiros da gestão anterior.

Bolsonaro elencou algumas iniciativas que levantaram desconfiança de sua equipe em sua primeira entrevista após assumir o Palácio do Planalto, concedida ao SBT,

Uma das emissoras exaltadas pelo público que assistiu à sua posse.

Uma delas: o desenvolvimento de uma criptomoeda indígena, parceria entre a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a UFF (Universidade Federal Fluminense) -já suspenso pela ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. O projeto custaria em torno de R$ 44 milhões.

Ele também pôs a Lei Rouanet sob sua mira ao citar um projeto promovido pela estatal Furnas "para duas corridas em comunidades pacificadas" no Rio, uma delas sendo o morro do Borel.

"Se não me engano", disse Bolsonaro, para justificar a inadequação da proposta, as ruas de lá têm "uma inclinação de 60 graus". Fora que o valor seria alto demais (R$ 100 mil por corrida). "Tá errado uma coisa aí."

O presidente não especificou que projeto era esse, mas disse que ele promove o esporte -há leis de incentivo fiscal para tanto, mas em geral elas ficavam sob alçada do Ministério do Esporte, e não da pasta da cultura, que controlava a Lei Rouanet.
Bolsonaro também destacou que o Ministério do Turismo encomendou uma consultoria para "abrir uma representação para estimular turismo no Brasil", que custou R$ 3 milhões, um valor que lhe pareceu desproporcional para a tarefa.

Questionado se poderia haver indícios de corrupção aí, respondeu: "Tá na cara que tem muita coisa errada. [...] Qualquer um de nós poderia fazer algo parecido com uma consulta na internet."


FONTE: FOLHA PE