Petrobras: futuro gestor descarta privatização

Nome de Roberto Castello Branco para presidir a estatal petroleira foi anunciado. Defensor de privatizações, ele disse que o foco será na exploração do pré-sal

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, recomendou ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, a indicação para a presidência da Petrobras de Roberto Castello Branco, que aceitou o convite para gerir a estatal. Consultor para a área energética da equipe de transição, ele fez parte do conselho de administração da Petrobras em 2015. Defensor da privatização de estatais, afirmou, após a nomeação para o cargo, que a privatização da companhia "não está em questão". 

A ideia é reforçar o foco nos investimentos para a exploração e produção de petróleo do pré-sal e manter a política de preços internacionais dos combustíveis. Ele não descartou, porém, a saída de áreas hoje consideradas estratégicas, como a distribuição de combustíveis.

O futuro presidente da Petrobras disse que o foco atual, de concentrar esforços na produção do pré-sal, "não só será mantido mas reforçado". "Precisamos aproveitar essa riqueza enquanto há tempo. Em algumas décadas, o petróleo perderá a relevância que tem hoje", argumentou. A área de exploração e produção, diz, é "o coração da empresa".

Castello Branco não quis adiantar medidas, alegando que "ainda não passou na porta da Petrobras", mas sinalizou que os atuais planos de desinvestimentos, com a venda de refinarias, serão mantidos. Ele argumenta que a competição no refino é positiva para o consumidor, inclusive quando se trata de preços dos combustíveis.

O assunto privatização da Petrobras voltou à tona ontem após Bolsonaro manifestar a intenção de privatizar a estatal "em partes". "Alguma coisa você pode privatizar. Não toda. É uma empresa estratégica", comentou o presidente eleito, reiterando que não há decisão tomada sobre o tema. Pela manhã, em Brasília, o vice-presidente eleito Hamilton Mourão afirmou que o futuro governo pretende preservar o “núcleo duro” da estatal, mas a equipe estuda a possibilidade de negociar áreas como distribuição e refino.

A confirmação do nome do economista Roberto Castello Branco como novo presidente da petroleira foi bem recebida pelo mercado, que elogiou a experiência do futuro executivo. Castello Branco é professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), onde ocupa o cargo de diretor do Centro de Estudos em Crescimento e Desenvolvimento Econômico. Tem pós-doutorado pela Universidade de Chicago e ex-diretor do Banco Central e da Vale.

Chegou ao conselho da Petrobras em 2015 por indicação do ex-presidente da mineradora, Murilo Ferreira, que havia sido nomeado por Dilma Rousseff (PT) para presidir o conselho da petroleira. Deixou a empresa com críticas ao ritmo das mudanças na gestão da estatal, que vivia crise aguda após a Lava Jato. Considerava que a reestruturação interna e a venda de ativos eram tímidas. É um parente distante do general Humberto de Alencar Castello Branco, primeiro presidente da ditadura militar. “Muito respeitado pelo mercado, éc onhecido por ser extremamente competente, muito trabalhador, exigente, ético, sério, humilde no trato das pessoas e admirado por essas qualidades. O nome cai bastante bem para os investidores", avalia Pablo Spyer, da corretora Mirae.

O futuro do atual presidente da Petrobras , Ivan Monteiro, que assumiu o cargo em junho, após o pedido de demissão de Pedro Parente, é ainda incerto, mas ele estaria cotado para assumir o comando do Banco do Brasil. A informação ainda não foi confirmada pelo governo eleito.

Economistas
O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou na segunda (19) que "quem ferrou o Brasil foram os economistas" e que a sua equipe econômica não terá direito de errar. A equipe está sendo montada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. "Eles são parte importante do nosso plano de governo. Eles não podem errar, não têm o direito de errar", disse Bolsonaro, em entrevista em frente à sua residência, no Rio.


FONTE: FOLHA PE