PF prende envolvidos com fraudes no instituto de previdência dos servidores de um município da RMR

Operação Abismo cumpre 22 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão. Segundo investigação, R$ 90 milhões de instituto foram transferidos para 'ativos podres'


A Polícia Federal em Pernambuco deflagrou na manhã desta sexta-feira (19) a Operação Abismo com objetivo de reprimir e desarticular um esquema de fraudes no instituto de previdência dos servidores de um município da Região Metropolitana do Recife. As investigações tiveram início em março deste ano e, segundo os dados coletados na investigação, que ainda se encontra sob sigilo, foram transferidos mais de R$ 90 milhões do instituto, que antes se encontravam investidos em instituições sólidas, para fundos de investimento compostos por ativos “podres”. Isto é, sem lastro e com grande probabilidade de inadimplência futura, colocando em risco o pagamento da aposentadoria dos servidores do município.

Estão sendo presos, empresários, lobistas, advogados, políticos, religiosos e outras pessoas que de uma forma tem participação com o esquema criminoso. As medidas foram determinadas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que ainda autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores depositados em contas em nome dos investigados.

As ordens judiciais de prisão e buscas estão assim distribuídas por regiões. Em Pernambuco, estão sendo cumpridos 18 mandados de buscas, dois mandados de prisões temporárias e 4 mandados de prisões preventivas nos municípios do Cabo de Santo Agostinho, em Sagueiro, no Sertão e em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul.

Em São Paulo, são dez mandados de busca, um de prisão temporária, cinco de prisões preventivas em Jundaí e Guariba. No Rio de Janeiro, dez mandados de busca, seis de prisões temporárias e um de prisão preventiva, todos na capital carioca. Na Paraíba, um mandado de busca, na cidade de Monteiro. No Distrito Federal, um mandado de busca. Em Goiás, um mandado de busca e um de prisão temporária, em Goiânia e Anápolis. Em Santa Catarina, um mandado de busca e dois de prisões temporárias.

No curso da investigação coletaram-se indícios de que a alteração na carteira de investimentos do Instituto de Previdência foi efetuada a mando do prefeito do aludido município, por meio de ingerência indevida na administração daquele órgão, em razão do oferecimento de vantagem indevida.

Ao todo, 220 policiais federais estão cumprindo 64 (sessenta e quatro) ordens judiciais sendo 42(quarenta e dois) mandados de busca e apreensão, 10 (dez) mandados de prisão preventiva e 12 (doze) mandados de prisão temporária, nos estados de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Santa Catarina e no Distrito Federal.

Os crimes que estão sendo imputados aos suspeitos são Lavagem de Dinheiro, Associação Criminosa, Crimes Financeiros, Corrupção Ativa e Passiva, cujas penas ultrapassam os 30 anos de reclusão. Os presos serão levados até a sede da Polícia Federal onde serão interrogados e logo em seguida irão ser encaminhados para os respectivos sistemas prisionais. Os presos de outros estados ficarão reclusos em sistemas prisionais de seus estados onde ficarão à disposição do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.


FONTE: DIÁRIO PE