Haddad critica notícia falsa sobre defesa do incesto em livro

Acusação, mesmo depois de retirada do Twitter, foi mantida no perfil de filho do adversário. Petista questionou violência do capitão reformado e disse que ele só fala em morte e vive de agressões

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, questionou o comportamento de Carlos Eduardo, filho do adversário Jair Bolsonaro, que reproduziu nas redes sociais uma notícia falsa de que o petista defendera o incesto. A publicação, um tuíte com um texto do escritor Olavo de Carvalho, dizia que Haddad pregava a derrubada do tabu do incesto. O autor retirou o texto das redes sociais, explicando-se depois. Mas Carlos Bolsonaro a manteve com a pergunta "é isso que você quer ver governando o país?".

Após um "encontro com pessoas com deficiência pela democracia", Haddad listou mentiras das quais seria vítima. "Qual o limite da loucura do meu adversário? Acusar um oponente de defender o incesto. Onde nós vamos parar?", questionou.

O petista também disse que vê com preocupação o que chama de projeto de poder de líderes da igreja Universal do Reino de Deus, citando, ainda, o fato de Bolsonaro ter chamado dom Paulo Evaristo Arns de vagabundo e picareta. "Onde é que esta loucura vai parar? Hoje, uma igreja católica amanheceu pichada com uma suástica. Eu fui perseguido por um carro por um bolsonarista chamando a igreja católica de igreja gay".

Haddad cobrou a imprensa pelo que chamou de omissão. "Vocês não vão acordar para o risco que nós estamos correndo? Quando é que a imprensa vai acordar? A ombudsman da Folha de S.Paulo está fazendo justamente isso". Segundo Haddad, "se a imprensa não ajudar, não vai acabar bem". "A democracia está em risco, acordem", apelou.

Venezuela

Haddad também reagiu à campanha do adversário, que leva ao ar a acusação de que, se eleito, o petista transformará o Brasil na vizinha Venezuela. Em resposta, Haddad disse que essa é uma tentativa de Bolsonaro de desviar atenção sobre seu próprio passado. "Isso é jogo de cena para desviar a atenção sobre o passado dele, que elogia torturador, que diz para uma colega de Parlamento que não a estupra porque ela não merece.

Segundo Haddad, essa é uma forma "para mudar de assunto, desviar atenção". "Quem tem que responder sobre seu passado é ele, que defendeu a tortura, que defendeu o extermínio de 30 mil pessoas. Qual é o exemplo que ele está dando? Só fala em morte", questionou Haddad.

Em resposta ao adversário, Haddad disse também que o PT nunca violou um princípio democrático nos anos que governou o país e sempre fortaleceu as instituições democráticas". Ele questionou, ainda, quem paga a "campanha caluniosa" de Bolsonaro via WhatsApp, e fez um apelo "para eles pararem com isso". "Aí eles dizem: 'mas eu não posso me responsabilizar'. Mas quem está pagando por tudo isso? Será que custa barato fazer essa campanha por WhatsApp?"

O petista disse também que Bolsonaro não o enfrenta em debate porque seria confrontado sobre a origem de mentiras difundidas nas redes sociais: "E tem uma razão para ele não participar de debates. Ele não vai poder dizer isso na minha cara, né? Não vai poder afirmar nada do que ele afirma pela internet frente a frente, não vai conseguir sustentar".

Ex-presidente Lula

Em entrevista ao El País, divulgada no último domingo (15), quando questionado sobre a possibilidade, se eleito, de dar um indulto ao ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva, Haddad disse que o ex-presidente não pede o benefício. "Ele não pede. É engraçado vocês me pedirem para me posicionar sobre algo que o presidente não está pedindo. Ele está pedindo um julgamento justo", disse Haddad.

Resposta pelo kit gay

Acusado pelo adversário de ser o responsável por um suposto “kit gay”, o candidato Fernando Haddad entrou no Tribunal Superior Eleitoral com pedido de direito de resposta contra Jair Bolsonaro. Segundo a campanha do petista, oconteúdo falso é propagado pelo oponente na disputa presidencial.

A defesa ainda pede que o TSE determine a retirada de postagens que teriam mensagens inverídicas no Facebook, Twitter e Youtube. Os advogados do PT afirmam que, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 28 de agosto, Bolsonaro mentiu e difundiu a falsa ideia de que o livro"Aparelho Sexual e Cia" seria distribuído em escolas públicas. "E que, segundo vídeo que circula em redes sociais, seria inadequado para crianças e jovens brasileiros", afirmam.

Segundo a defesa de Haddad, o livro "não fez parte de qualquer kit escolar", nem do material que o candidato do PSL chama de 'kit gay', "que, por sua vez, era partede um programa do governo chamado 'Escola Sem Homofobia', e que nunca chegou a ser posto em prática".

Na ação, que está sob relatoria do ministro Carlos Horbach, a defesa do petista ressalta que a informação foi desmentida pela editora do material e pelo Ministério da Educação. "O candidato vem proferindo esta grave mentira há mais de anos. A informação de que o livro seria distribuído em escolas públicas começou a ser difundida por Bolsonaro no dia 10 de janeiro de 2016 através de um vídeo que publicou no Facebook”.


FONTE: FOLHA PE