Goleiro Bruno é flagrado com mulheres e cerveja enquanto deveria estar trabalhando

O ex-atleta deveria estar em serviço em uma obra da Apac de Varginha, onde cumpre pena, mas foi visto em um clube com mulheres e cerveja; Bruno teve autorização para trabalho suspensa

No início da tarde da última quinta-feira (18), o goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza foi flagrado em um clube de Varginha, no sul de Minas, ao lado de mulheres. O encontro foi marcado pelo Whatsapp. 

O jornal Estado de Minas teve acesso exclusivo às trocas de mensagens. Por estar em regime fechado, o jogador não poderia fazer uso de aparelho celular. A cena foi flagrada pela TV Alterosa (emissora local do estado). O ex-atleta cumpre pena por assassinato, ocultação de cadáver e sequestro do filho.

Bruno deveria estar em serviço em uma obra da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Varginha, onde cumpre pena, mas foi visto em um clube, onde também faz trabalhos, vizinho ao Apac. Por volta das 14h, a reportagem da TV Alterosa foi até o local e flagrou o ex-atleta com mulheres em uma mesa, onde havia uma lata de cerveja. Ao ser abordado pela reportagem sobre a expectativa para sair para o regime semiaberto - pedido feito pelo seu advogado à Justiça no dia 11 de outubro -, ele disse que não poderia falar. As mulheres que estavam com ele saíram e foram para o banheiro. O empreiteiro responsável pela obra onde o atleta devia prestar serviço não estava no local.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), nenhum preso da Apac pode fazer uso de celulares.

Benefício cancelado

Nesta sexta-feira (19), Bruno teve a autorização para trabalho suspensa pela Justiça. A secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que Bruno cumpre pena em regime fechado no Presídio de Varginha. Ele tem permissão para trabalho concedida pelo Poder Judiciário e atualmente exerce função laboral nas obras da Apac da cidade. Ainda segundo a pasta, presos com autorização para trabalhar não necessitam de escolta de agentes de segurança penitenciários.

De acordo com a secretaria, Bruno saía às 7h e retornava às 18h, de segunda a sexta-feira, em transporte fornecido pela Apac. A direção do presídio já comunicou o fato à Vara de Execução da comarca que suspendeu a autorização para o trabalho do preso. Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que está apurando o caso, mas ainda não deu retorno.

Defesa

O advogado do atleta, Fábio Gama, negou que Bruno faça uso do celular e de bebidas alcoólicas. Disse, ainda, que essa denúncia é de "alguém querendo prejudicar a saída dele". De acordo com Gama, a Associação Canaã, clube em que Bruno foi flagrado, próxima à Apac é usada pelos internos para descansar depois do trabalho. Além disso, informou que alguns fãs costumam ir até o local para conhecer o goleiro e tirar fotos. Disse, ainda, que o goleiro não tem nenhum aparelho celular e que desconhece os áudios compartilhados via WhatsApp. Segundo ele, as mensagens não seriam do goleiro. A confirmação do uso de celular por parte de Bruno pode dificultar a conquista do cumprimento da pena em regime semiaberto, pedido feito pelo seu advogado em 11 de outubro.

Relembre o caso

Bruno foi detido em junho de 2010 por envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio e ficou preso, primeiro de forma preventiva e depois condenado por assassinato, ocultação do cadáver e sequestro do filho que teve com a vítima, Bruninho. Em fevereiro de 2017, ele foi colocado em liberdade pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, mas a decisão foi revogada no Supremo dois meses depois. Inicialmente, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses pelos crimes, mas em setembro de 2017 a pena foi reduzida para 20 anos e nove meses.


FONTE: DIÁRIO PE