Em Boa Viagem, manifestantes pró-Bolsonaro gritam palavras de ordem contra PT; veja fotos

A manifestação, que ocorre na Avenida Boa Viagem, é organizada pelo Vem Pra Rua, com apoio do MBL e da Direita Pernambuco

A manifestação #PTNão, organizada pelo Vem Pra Rua, “contra a volta da 'cleptocracia' e do projeto bolivariano de poder do PT ao comando do país” tomou, por cerca de duas horas e meia, a Avenida Boa Viagem, reunindo militantes e simpatizantes do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na tarde deste domingo (21) na Zona Sul do Recife. Também participaram do ato, que seguirá até o Segundo Jardim, o MBL e a Direita Pernambuco. Os ex-ministros Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM) se juntaram à manifestação. A organização estimou 10 mil pessoas.

Os manifestantes vestiam camisas nas cores verde e amarelo e também com a imagem do capitão reformado e traziam bandeiras do Brasil. No ato, muitas mulheres e crianças. No primeiro trio elétrico, um tradutor de libras transmitia os dizeres na linguagem de sinais.

Em um dos trios, foi transmitida mensagem do candidato do PSL agradecendo os simpatizantes. "Só estou nessa porque acredito em vocês e vocês acima de tudo acreditam no nosso Brasil. Um só povo, uma só raça e, muito importante, uma só bandeira verde e amarela. Amigos do Nordeste, juntos colocaremos o Brasil no seu devido lugar. Sem distinção, sem preconceitos, sem divisões entre nós. Acredito no povo brasileiro e acredito em Deus acima de tudo. O Nordeste, Pernambuco, Recife, um grande abraço e, juntos, se Deus quiser, seremos vitoriosos no próximo domingo e começaremos a escrever uma nova história em nosso querido Brasil".

“O Vem Pra Rua vem para a rua mais uma vez para mostrar que o povo brasileiro repudia essa organização criminosa chamada PT, que quer retomar o poder do nosso país”, disse Maria Dulce Sampaio, uma das organizadoras do evento.

O locutor do trio do MBL gritava palavras de ordem como: "Eu vim de graça” e “A nossa bandeira jamais será vermelha” e afirma que “foi Deus que escolheu o capitão para mudar a nossa história”. Ele também iniciou um Pai Nosso. Além disso, conclamou: “quem acha que as urnas estão fraudadas levanta a mão”. E divulgou a campanha fiscaisdomito.com.br, orientando que todos “se alistem”.

O ato, que foi acompanhado por policiais militares, contou com dois trios e carros de som, que tocavam apenas músicas sobre Bolsonaro. Um dos trios estava sendo “comandado” por mulheres. Muitos ambulantes aproveitaram para vender camisas e produtos referentes à campanha do candidato do PSL.
Brasil
Em atos pelo Brasil, os apoiadores do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) ironizaram neste domingo (21) as suspeitas de financiamento por empresas de disparo de mensagens contra a candidatura de Fernando Haddad (PT). Os manifestantes vestiram caixas de papelão nos protestos com a inscrição "Caixa 2" e gritaram, em coro, "eu vim de graça". Também usavam cartazes dizendo que são "os robôs de Bolsonaro".

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu investigação sobre o caso após ele ter sido revelado pela Folha de S.Paulo. Haddad acusou Bolsonaro de estar envolvido com a distribuição das mensagens e disse que ele tenta fraudar o processo eleitoral.

De camisa verde e amarela e com bandeiras do Brasil, os manifestantes também pediram que o segundo turno fosse realizado com cédulas de papel, uma das bandeiras do capitão reformado. Cartazes também faziam referência a fala do senador eleito Cid Gomes (PDT-CE), coordenador da campanha do irmão Ciro Gomes (PDT) e apoiador de Haddad, à militância petista: "Lula tá preso, babaca." O vídeo da fala foi usado na campanha de Bolsonaro na televisão.

No ato em São Paulo, na avenida Paulista, o próprio Bolsonaro apareceu em videoconferências em telões de movimentos que o apoiam. Em crítica ao PT, prometeu "varrer do mapa esses bandidos vermelhos do país". "Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou [então] vão para fora ou vão para a cadeia." Disse que tipificaria as ações do MST como terrorismo e afirmou que, caso eleito, daria retaguarda jurídica à polícia para "fazer valer a lei".

Também criticou a Folha de S.Paulo. "A Folha de S.Paulo é a maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo", afirmou, sob gritos da plateia. "Imprensa vendida, meus pêsames."

Antes dele, a deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou que os petistas irão perder a eleição não por causa de fake news (notícias falsas), mas devido às "true news" (notícias verdadeiras) e relacionou o partido a desvios de recursos públicos.
"Fake news é dizer que o Brasil não esta abraçando essa candidatura com amor", afirmou. "Não é WhatsApp, não, não é o Facebook, não. É a safadeza deles que está destruindo eles próprios", afirmou. Janaina também respondeu às críticas sobre a ausência de Bolsonaro em debates televisivo.

O capitão reformado diz que não participará dos encontros com Haddad. "Se Haddad quiser debater, venha ele, venha a Gleisi [Hoffmann, presidente do PT], venha Lula, venha toda a turma dele, que eu encaro eles sozinha", convocou. "Eu amo cada um de vocês, eu amo todos vocês, eu amo este país", acrescentou.

Também participaram do ato o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), que concorre ao governo do estado, e o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP). No carro de som do MBL (Movimento Brasil Livre), além de críticas ao PT e à esquerda, houve críticas ao adversário de Doria no segundo turno, o governador Márcio França (PSB).
"Muito cuidado com as eleições estaduais porque aqui eles não estão com a estrela vermelha na testa", discursou o vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM), apresentando o governador como "membro do Foro de São Paulo". Na avenida, além dos carros de som, foi inflado um pixuleko, boneco vestido com roupa de presidiário que faz alusão ao ex-presidente Lula.

O protesto em Belo Horizonte também teve a participação de um candidato ao governo. Romeu Zema (Novo), líder das pesquisas em Minas Gerais, foi à praça da Liberdade, onde houve o ato. Zema declarou voto em Bolsonaro ainda no primeiro turno, o que fez suas intenções de voto crescer e o levou ao segundo turno.

No Rio, os manifestantes se reuniram em Copacabana, na zona sul, também vestidos com caixas de papelão. Questionados sobre as suspeitas, o casal Durval Alves, 56, e Maria de Fátima Penna, 54, disseram considerá-las chacota. Segundo eles, as redes sociais tiveram papel fundamental na campanha e, principalmente, para "barrar corruptos" na urna. Alves avalia que as redes retiraram da imprensa o monopólio das notícias e que a reportagem da Folha de S.Paulo teve "efeito bumerangue", por que as críticas não atingiram o presidenciável e se voltaram justamente para a mídia.

Em Brasília, o protesto teve começou pela manhã em frente ao Museu Nacional e se estendeu até o Congresso. "Nós estamos aqui votando pela mudança. Não somos militantes de estimação. Se o governo for ruim, voltamos pra rua e tiramos ele", disse a a representante comercial Sara Santana, 36. Não houve estimativas de público nos protestos por parte das organizações ou polícia. Nas redes sociais, o MBL também ironizou: "Parabéns aos milhões de robôs e perfis falsos que foram às ruas hoje lutar pelo Brasil."


FONTE: FOLHA PE