Meninos resgatados em caverna sonham em jogar futebol e integrar marinha

Em primeira aparição pública após o resgate, eles confirmaram que não tinham comida e que sobreviveram nove dias bebendo a água da chuva que escorria pelas rochas.

IMAGEM: FOLHA DE PERNAMBUCO

Os 12 meninos e seu técnico de futebol resgatados de uma caverna na Tailândia fizeram a sua primeira aparição pública em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18). Integrantes de um time de futebol, eles afirmaram que continuam sonhando em ser jogadores profissionais, mas disseram que agora também desejam integrar a marinha tailandesa (Navy Seal). Depois de receber alta do hospital, os "Javalis Selvagens" contaram sobre o dia que ficaram presos na caverna Tham Luang, as sensações de ter o corpo cada vez mais fraco por falta de alimento e como tentaram escapar abrindo buracos. Sem comida, eles sobreviveram nove dias bebendo a água da chuva que escorria pelas rochas.


Com um desenho do ex-mergulhador Saman Kunan, que morreu em 6 de julho, durante a missão de resgate, o grupo também fez uma homenagem e mostrou as mensagens deixadas para ele e sua família. Usando camisetas com o desenho de um javali, em referência ao nome da equipe , os jovens se apresentaram um a um, depois de improvisarem passes com uma bola. Adul Sam-On, de 14 anos, disser que foi um milagre que ele e seus colegas tenham sido encontrados.

Depois de alguns falarem um pouco, o técnico-assistente, Ekkapol "Ake" Chantawong ficou encarregado de explicar como o grupo ficou preso na caverna. Ele lembrou que no sábado, 23 de junho, Peerapat Sompiangjai fez 17 anos e sua família havia preparado um bolo de aniversário. Antes do grupo entrar na caverna, por volta das 16h, ele avisou que teria que sair até às 17h, já que a família preparou a comemoração e estava esperando por ele em casa, em um vilarejo rural do distrito de Mae Sai.

"Quando tentamos sair percebemos que estávamos presos. Discutimos sobre nadar. Eu não estava preocupado, estava assustado. Pensei que no outro dia a água iria baixar", lembrou o técnico-assistente.

O tempo foi passando sem que eles encontrassem formas de deixar a caverna. Quanto mais chovia, mais difícil ficava a situação. "Eu estava sempre procurando água que a gente pudesse beber. A mair parte da água que escorria das rochas era limpa e tinha gosto de água normal. Não tinha comida. Após dez dias eu tinha que encorajar eles. Antes de dormir disse a eles para rezar", contou Ekkapol "Ake" Chantawong.

Um dos garotos mais novos disse que usava a mente para superar a fome. "Quando eu estava com muita fome tentava não pensar em comida, porque isso iria me deixar com mais fome", lembrou.


Fonte: Folha de Pernambuco