Com otimismo no mercado nacional, Jeep de Goiana receberá investimentos

Planta pernambucana entra na estratégia global do grupo Fiat Chrysler e deve produzir 200 mil carros em 2018

Foto: Arquivo/DP

A planta da Jeep em Pernambuco vai receber novos investimentos. O anúncio será em 1º de junho, dentro de uma estratégia global do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), que contempla as plantas da América Latina. O novo presidente do grupo FCA para a América Latina, Antonio Filosa, pontua a expectativa positiva em relação ao mercado brasileiro, puxada por indicadores positivos da economia que devem retomar as vendas via financiamentos. Para a planta local, a produção deve chegar a 200 mil carros produzidos em 2018, dependendo de como a Argentina vai responder aos problemas cambiais recentes. Ainda que não fale em gargalos, o presidente pontua ajustes de infraestrutura no Brasil, o que inclui Pernambuco, necessários para quem prevê crescimento futuro.

De acordo com Filosa, o otimismo nas expectativas do mercado nacional vem de análises econômicas dos indicadores de Produto Interno Bruto (PIB), em alta, e principalmente de juros e desemprego em baixa. "A economia está em retomada. o PIB está aumentando, o desemprego caindo e o juros estabilizados em baixa começam a ser interessantes numa equação que levanta a demanda de compra financiada", analisa.

Se isso acontecer, segundo ele, três departamentos da indústria automotiva responderão: carros de entrada, SUVs e os utilizados em pequenos negócios, nos quais a FCA está bem posicionada em produtos. "Sobre o carro de entrada, o brasileiro que infelizmente perdeu o emprego dois anos atrás e agora está se reposicionando em novo emprego, está pensando nessa compra. E tem uma taxa baixa pra fazer isso", explica, pontuando os veículos Mobi, Argo, Cronos e Novo Uno.

"No setor de SUV, temos os dois melhores (Renegade e Compass), para atender a demanda de classes C, B e A. E a terceira demanda em potencial é o de pequenos negócios, que respondem bem em retomadas de vendas. Temos duas picapes para esse setor (Strada e Toro), além da Fiorino. Então estamos com produtos prontos para a demanda que vai chegar", garante.

A planta industrial da Jeep, em Goiana, tem capacidade instalada para produzir 250 mil veículos, mas a demanda deve levar a produção a cerca de 200 mil carros fabricados neste ano. A unidade atende o mercado nacional e internacional e uma das preocupações recentes tem sido a Argentina, importante comprador dos produtos feitos em Pernambuco, mas que foi pego pela valorização global do dólar que, com outros problemas internos, levou o país a uma crise de câmbio. Desde o primeiro ano de operação que a Jeep lidera o ranking de produtos mais exportados (veículos) em Pernambuco.

"Nosso posicionamento no mercado externo depende muito de como a Argentina vai se comportar. Ela passou por um momento de muita volatilidade cambial. Se não tivesse mudado como nas duas últimas semanas, a gente previa mandar pra lá 20 mil carros Jeep, 15 mil Fiat Toro e mais 15 mil pra outros países. O Chile e a Colômbia aparecem na nossa pauta agora, mas não compensam uma queda da Argentina, onde a gente está desde o ano passado", explica.

Sobre pleitos para a unidade local, o presidente pontua ajustes necessários para um crescimento futuro. “Temos uma relação muito positiva com todos os agentes econômicos e políticos e pontuamos algumas melhorias a serem feitas, como logística e no fornecidmento de energia elétrica, que precisam melhorar”, citou.


FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO