Petrobras quer vender parte da Refinaria Abreu e Lima, em Suape

Depois de vender a PetroquímicaSuape e a Citepe para a mexicana Alpek, a Petrobras quer vender ativos da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Suape


O Polo Petroquímico de Pernambuco pode ser quase que inteiramente entregue às mãos da iniciativa de privada. Depois de vender a PetroquímicaSuape e a Citepe para a mexicana Alpek, a Petrobras quer se desfazer de ativos da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). A intenção foi anunciada nessa quinta-feira (19) busca amenizar a dívida da estatal. A Petrobras alega que a medida também será benéfica para o mercado de petróleo e gás, mas os trabalhadores discordam e podem entrar em greve contra a decisão.

A venda de parte da Rnest faz parte de um grande plano de desinvestimento, que também atinge as refinarias Landulpho Alves (BA), Alberto Pasqualini (RS) e Presidente Getúlio Vargas (PR), além de 12 terminais e 24 dutos de movimentação de petróleo e derivados - empreendimentos que representam 37% da capacidade de refino do Brasil.

“O modelo preliminar prevê a constituição de duas novas empresas. Uma no Sul e outra no Nordeste, com coparticipação de refino e logística”, anunciou o gerente geral de reestruturação de refino, transporte e comercialização da Petrobras, Arlindo Moreira Filho. Ele explicou que a ideia é transferir 60% de cada um desses ativos para iniciativa privada. “Para a operação ser bem sucedida, é importante que o novo agente tenha liberdade para a formação comercial. Mas a Petrobras vai cobrar excelência nos padrões de segurança, saúde e meio ambiente”, garantiu. A empresa ainda afirmou que, mesmo com essas operações, manterá 75% da capacidade de refino nacional.


A Petrobras não revelou quanto pretende arrecadar com as vendas; mas admitiu que os recursos devem ser usados no abatimento da sua dívida, que hoje gira em torno de US$ 85 bilhões, e garantiu que a medida será benéfica para os brasileiros. A empresa detém 99% do mercado de refino nacional e acredita que a entrada de novas companhias na operação pode trazer mais competitividade, gerando preços mais atrativos e investimentos. Por isso, Moreira afirma que a medida pode favorecer as obras de conclusão da Rnest.

Lançada em 2015, a Refinaria Abreu e Lima foi projetada para ter dois trens de refino, com capacidade de processar 230 mil barris de petróleo por dia. Hoje, no entanto, não tem nem um trem funcionando com a capacidade total. É que as obras do segundo trem estão paradas desde 2014, e a Petrobras ainda está concluindo a Operação da Unidade de Abatimento de Emissões (SNOX), que vai permitir a operação integral do primeiro trem.

“Haverá uma condição mais favorável à conclusão dos investimentos com a criação desta nova empresa, que vai nascer com condições mais leves”, afirmou Moreira, admitindo, no entanto, que a conclusão do empreendimento não será exigido ao parceiro privado. “Não é uma condição imposta ou uma obrigação, mas uma escolha natural, por conta do crescimento do mercado nacional, do que já foi investido no local e da oportunidade que representa esse segundo trem”, avaliou o gerente da Petrobras, dizendo que a Rnest foi incluída neste pacote porque representa um bom negócio.

“Apesar de não estar concluída, a Rnest já tem capacidade de refino relevante, transforma muito petróleo pesado em diesel. É um ativo de qualidade, que vai contribuir para a geração de caixa da Petrobras”, alegou.

A venda da Rnest e das demais refinarias, porém, não está garantida. O projeto passará por um processo de aprovação interno na Petrobras e deve sofrer resistência dos trabalhadores. Se aprovado, ainda levará de nove a 12 meses para ser executado. Depois disso, o contrato deve passar por instâncias reguladoras como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por isso, a iniciativa privada só deve entrar nos empreendimentos em meados do ano que vem.

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO