Caravana alerta para contágio sexual do zika

Goiana, na Mata Norte, será a primeira cidade pernambucana a receber as organizações que pretendem conscientizar moradores sobre os riscos da contaminação por via sexual

A cidade de Goiana, na Mata Norte, será a primeira de cinco municípios que vão receber a caravana cultural “A rural na estrada: mais fortes que o zika”, estratégia financiada pelo Fundo PositHIVo. As atividades de conscientização sobre os riscos do vírus, principalmente relacionadas à contaminação por via sexual, começam nesta segunda-feira (20), com o dia D de mobilização na praça do Carmo, às 18h30.

As ações de conscientização ainda vão seguir por oito meses em todos os municípios patrocinados pelo fundo através do edital “Saúde sexual e reprodutiva no contexto do zika vírus”. No roteiro da caravana ainda estão Caruaru, no Agreste, com atividades iniciando dia 26; Olinda, na RMR, em 2 de dezembro; Petrolina, no Sertão, em 14 de dezembro; e Recife em 17 de dezembro.

Cinco Organizações Não Governamentais (ONGs) encabeçam as atividades, com financiamento de R$ 40 mil para cada iniciativa, totalizando R$ 200 mil em recursos para o combate e prevenção da patologia. O coordenador geral do Fundo PosiHIVo, Harley Henriques, destacou que é preciso alertar as comunidades sobre os riscos de contrair o zika através do ato sexual e a necessidade de prevenção sexual. A instituição aponta que esta via de transmissão ainda é pouco discutida com a população mais vulnerável. 

“Queremos promover informação sobre prevenção do zika, o empoderamento feminino e o cuidado com a saúde”, completou Henriques. Estudos internacionais já comprovaram a viabilidade do contágio sexual de zika. Pesquisas em curso, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, tentam estabelecer se há diferenças da doença dependendo se a contaminação for por via sexual ou pela picada de mosquitos infectados. 

O zika vírus atingiu fortemente a saúde sexual e reprodutiva dos brasileiros desde que a explosão de casos de microcefalia relacionada ao patógeno foi descoberta. Primeiro, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, em 2015, recomendou às mulheres que adiassem as gestações até que a situação ficasse mais clara. Depois, houve a suspensão de procedimentos de inseminação artificial nas áreas endêmicas para o vírus. Internacionalmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu precauções sobre o sexo desprotegido para quem viajou para áreas onde havia histórico de zika, e uma quarentena para as relações sexuais e planejamento de gravidez. 

Juntas, essas e outras medidas significaram ansiedade e supressão de direitos, segundo a representante da ONG Curumim, Sueli Valongueiro. “O Estado (brasileiro) estava infringindo um direito garantido da mulher de decidir quando ter um filho quando o ministro disse aquilo. Estava tirando a decisão da mulher. Por outro lado, várias informações iam chegando à medida que cada estudo ia sendo fechado. Estávamos num ambiente desconhecido e isso também dava uma ansiedade muito grande na população”, comentou ela. 

O impacto deste cenário confuso e de cerceamento de direitos foi exposto esta semana, quando o IBGE divulgou a taxa de nascimentos no País. O índice caiu 5,1%, em 2016, em comparação com 2015. Em Pernambuco, onde a epidemia de zika foi maior, a queda foi o dobro, de 10%. O percentual colocou o Estado no topo do decréscimo nacional. 

Sueli frisou ainda que o governo focou demais apenas na transmissão pela picada de mosquito e no papel da população para erradicar os focos domésticos do Aedes aegypti, mas negligenciou sua ação na gestão do saneamento. Para piorar, demorou a agir quando foi descoberta a relação entre o zika e os fluídos corporais, como o sêmen. Agora, o papel das ONGs é promover a prevenção do zika também no contexto das Infeções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). “A camisinha tem mais uma questão importante para ser usada”, alertou