Guarda Municipal vai usar drone ‘pega-ladrão’ desenvolvido por alunos de Itapissuma

Guardas municipais de Itapissuma, no Grande Recife, participam nesta quinta-feira (27) de uma capacitação para utilizar drones em rondas e ações de segurança no município. Os equipamentos, previstos para entrar em funcionamento em 2018, foram desenvolvidos por estudantes do ensino fundamental da Escola Municipal João Bento de Paiva, durante uma aula de Robótica.

O protótipo foi desenvolvido com kits lego e utiliza sensores, motores e câmeras para chegar a lugares de difícil acesso da cidade, tudo controlado por celular.Até junho, no município, a SDS registrou 11 assassinatos e 150 crimes violentos contra o patrimônio.

Adriano Bandeira, de 13 anos, e Gabriel dos Santos, de 12, cursam o 8º ano do ensino fundamental. Nas aulas de montagem livre, da disciplina de robótica, os dois tiveram a ideia de criar um protótipo para tentar diminuir os índices de violência na cidade. A ideia foi levada à gestão municipal, que decidiu utilizar o sistema desenvolvido pelos estudantes no trabalho da Guarda Municipal.

Estudantes de 12 e 13 anos desenvolveram drone para vigilância em Itapissuma, no Grande Recife (Foto: Divulgação/Rodrigo Costa)

Durante a aula, Gabriel foi quem primeiro pensou em criar o protótipo de drone. “Primeiro, pensamos em fazer uma cadeira de rodas, mas a violência está muito grande. Com as reportagens, tudo o que acontece no estado e em Itapissuma, vemos que as coisas não estão boas, daí veio a ideia de fazer algo para vigiar a cidade, chegar aonde é mais difícil”, disse.

Companheiro de turma, Adriano foi o segundo autor do drone ‘pega-ladrão’. Segundo ele, o processo teve que ser construído do zero, porque o projeto ainda não existia nos sistemas usados em sala de aula.

“Geralmente, temos o passo a passo no computador, mas, como era um produto novo, foi tudo na mente. Ele tem três sensores, três motores e um NXT, que é um tipo de ‘cérebro’ do drone. Ele pode ser controlado por um aplicativo, disponível nas plataformas iOS e Android”, explicou.

           Gabriel (esquerda) e Adriano (direita) demoraram cerca de uma hora para montar o drone 
           (Foto: Divulgação/Rodrigo Costa)

As aulas de robótica na escola são realizadas em uma parceria com a empresa pernambucana Dulino. Um dos professores do projeto, Vinícius Santiago explica que o protótipo de drone foi desenvolvido completamente pelos estudantes. O equipamento pode ser controlado pelo bluetooth de um celular ou programado por um computador, com trajetos pré-estabelecidos e sensores ultrassônicos para desviar de obstáculos.

“Em sala de aula, nas sessões de montagem livre, foi proposto que os alunos fizessem um projeto que tivesse utilidade para o município. O equipamento é feito com peças montáveis, específicas para robótica. Como é um protótipo, não poderia ser utilizado do jeito que está, mas é só aplicar a ideia e o sistema a peças de drone normais e ele já estaria pronto para funcionar”, disse Vinícius.

              Protótipo de drone tem três sensores e três motores (Foto: Divulgação/Rodrigo Costa)

O projeto foi desenvolvido no fim de 2016 e, desde então, os estudantes, professor e a Prefeitura de Itapissuma realizaram reuniões, para implantar os drones no cotidiano da cidade. Para Carlos Araújo, comandante da Guarda Municipal, a expectativa é de que, até 2018, ao menos quatro unidades já estejam funcionando. Um dos drones foi desenvolvido de imediato, para capacitar os guardas durante o período de preparação das outras unidades.

“O projeto está em estudo técnico e financeiro, para saber o raio que o drone percorre e a independência de voo. Basicamente, vamos utilizá-lo para o monitoramento de áreas mais complicadas de chegar com viaturas. Assim, poderemos percorrer as áreas no entorno, tanto no trabalho preventivo, para mapear a cidade, quanto no ostensivo, na iminência dos fatos, para, por exemplo, identificar suspeitos”, explicou Carlos.

Fonte: Pernambuco Conectado