Governo negocia política automotiva

Na tentativa de desenhar os novos rumos da indústria no Brasil, o MDIC está negociando em diferentes frentes o que já se pode chamar de nova política automotiva, que deve entrar no lugar do Inovar-Auto, cuja vigência termina no próximo 31 de dezembro. 

A própria indústria automotiva, bem como o governo, evita chamar a tratativa de Inovar-Auto 2: polêmico por si só desde sua concepção e que deixará uma mancha em diferentes aspectos, inclusive mundial, uma vez que o País foi condenado por protecionismo pela Organização Mundial do Comércio/OMC, ação que já era esperada até pelas montadoras instaladas no Brasil (leia aqui).

Para evitar qualquer indisposição, a nova política já está sendo discutida nos âmbitos industrial e internacional. Prova disto foi o encontro da semana passada, dias 16 e 17, do Comitê Automotivo Bilateral Brasil-Argentina, que se reuniu na capital em Buenos Aires, para tratar de velhos e novos assuntos. Entre os temas já conhecidos, o comitê falou sobre a integração produtiva entre os dois países e como ela poderá contribuir para a visão de futuro da indústria regional; além de tratar também da realização de avaliações, de forma coordenada, das possibilidades e dos impactos das negociações comerciais com terceiros mercados. Vale lembrar que há anos o Mercosul tenta negociar um livre comércio com a União Europeia. A delegação brasileira foi representada pelo secretário de desenvolvimento e competitividade industrial, Igor Calvet, que também costuma acompanhar o ministro do MDIC em suas reuniões com representantes do setor no Brasil. 

Já entre os novos assuntos o comitê criou dois grupos de trabalho a fim de avançar no plano de ação previsto no Acordo de Complementação Econômica (ACE 14), que ditam as regras de comércio no Mercosul. Segundo informações do MDIC, o primeiro grupo tratará de temas relacionados a políticas setoriais e acesso ao mercado de ambos os países, com destaque para a atualização da lista de produtos automotivos cobertos pelo ACE-14, bem como da introdução de uma nova discussão sobre a regra de origem para marcas premium. 

O segundo grupo focará suas tratativas a fim de avançar na convergência regulatória de normas técnicas do setor automotivo para a segurança veicular e emissões. 

MDIC MOVIMENTADO

Mesmo com uma agenda conturbada pelos escândalos políticos, o MDIC registrou a presença de vários dirigentes do setor automotivo: na quinta-feira, 16, Bernd Martens tratou assuntos diretamente com o ministro. O vice-presidente global de compras da Audi acompanhou o presidente da empresa no País, Johannes Roscheck, que assumiu o cargo recentemente (leia aqui). A Audi foi uma das marcas premium que resolveram instalar linha de montagem própria no Brasil após a sobretaxação dos 30 pontos adicionais do IPI sobre veículos importados de fora do Mercosul, conforme determina o Inovar-Auto. Vale lembrar que além dela, a BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz tiveram vantagens diferenciadas por se tratarem de empresas com volumes menores. Além disso, estas marcas se beneficiam de regimes como o ex-tarifário, que reduz a 2% o imposto de importação para peças e componentes em que não há produção de similares nacionais.

Na segunda-feira, 20, foi a vez do presidente da General Motors Brasil e Mercosul se fazer presente no MDIC: Carlos Zarlenga levou sua comitiva que contou o vice-presidente, Marcos Munhoz, e o vice-presidente da GM na Argentina, Federico Ovejero. No ano passado a GM rearranjou seu mapa de produção na região e transferiu para a Argentina a fabricação do sedã médio Cruze, montado com grande quantidade de componentes importados. 

Na reunião com a GM participaram ainda o secretário de desenvolvimento e competitividade industrial, Igor Calvet, e a diretora do departamento de indústrias de transporte do MDIC, Margarete Gandini, que acompanha de perto os assuntos do governo relacionados à indústria automotiva e suas políticas industriais.

O assunto desta reunião não foi divulgado pelo MDIC até o fechamento desta reportagem.

Fonte: Automotive Business