Cumprindo agenda no Nordeste, Dilma chega ao Recife nesta sexta

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) vem ao Recife nesta sexta-feira (17), a terceira cidade nordestina visitada por ela após deixar o Palácio do Planalto enquanto aguarda o andamento do processo de impeachment. 

Considerado reduto eleitoral do PT, o Nordeste seria alvo de Dilma e do interino Michel Temer (PMDB) na mesma semana, mas o peemedebista desistiu de vir a Pernambuco e Alagoas nessa terça (14) para se dedicar à pauta no Legislativo. 

A petista tem aproveitado os espaços para criticar Temer e se defender das acusações.

Na capital pernambucana, a petista vai primeiro à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para participar de um evento com alunos e professores da instituição. 

O debate será às 13h, no auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA). O espaço tem capacidade para apenas 240 pessoas, então o evento será fechado para convidados. 

Dilma, que vai a convite do Coletivo pela Democracia, será recebida pelo reitor Anísio Brasileiro e pela vice-reitora Florisbela Campos.

» Em tom de despedida, Dilma diz em Pernambuco que ficará triste se não vir fim da Transposição
De lá, a petista vai para um ato na Praça do Carmo, na área central da cidade. 

A manifestação foi intitulada “Mulheres Pela Democracia e Contra a Violência” e é organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que ficaram à frente também dos acampamentos contra o impeachment realizados na Praça do Derby e de outros protestos contra o afastamento de Dilma. 

A mobilização começa às 15h.

A presidente afastada visitou primeiro João Pessoa, nessa quarta (15), onde participou de audiência pública convocada pela Assembleia Legislativa da Paraíba. 

Em discurso, pressionou o governo Temer contra o bloqueio no repasse de R$ 17 milhões para a conclusão de uma obra na capital paraibana e pelo término da obra da Transposição do Rio São Francisco. 

Dilma também afirmou que não vai renunciar.

Nesta quinta (16), a petista recebeu o título de cidadã baiana na Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador. 

Dilma criticou as mudanças previstas no investimento em saúde e educação no âmbito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos. “Não há nenhuma justificativa, não há sequer razão para reduzir gastos em saúde e educação em um país como o Brasil. Nem o mínimo dá conta das necessidades”, defendeu a presidente. “Todo esse programa levado a cabo pelo governo golpista e provisório não passaria pelas urnas deste país.”

Dilma veio ao Nordeste em voos pagos pelo PT após a restrição feita pelo Palácio do Planalto para que ela só usasse aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em viagens de Brasília a Porto Alegre, onde mantém residência. 

Nessa quarta (16), a presidente afastada reclamou no Facebook Dilma disse que teria que se despedir porque precisava correr para o aeroporto “devido às restrições impostas ao seu deslocamento pelo governo golpista”. 

A petista reclama da segurança.

» Corte nas viagens de Dilma foi reposta de Temer aos protestos de petistas
Horas antes dos eventos com Dilma no Recife, nesta sexta (17), o atual ministro da Cultura, Marcelo Calero, também tem compromisso na cidade. 

Calero visitará, às 10h, a sede da Orquestra Criança Cidadã, projeto que recebe incentivo da Lei Rouanet. 

Após a extinção da pasta por Temer, o governo do peemedebista foi alvo de protestos também no Recife, com a ocupação do prédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Centro da capital. 

Mesmo após a recriação da pasta, o grupo continuou fazendo manifestações por políticas para a área e contra o presidente interino.


IMPEACHMENT – O processo de impedimento foi aberto pelo presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no fim do ano passado, após receber denúncia dos juristas Janaína Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. 

Os três usaram como argumento o atraso no repasse de recursos para a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, referentes a despesas com programas sociais do governo e com o Programa de Sustentação de Investimentos (PSI), que é a chamada “pedalada fiscal”. 

Além disso, os juristas alegam que houve seis decretos envolvendo créditos suplementares assinados pela presidente sem autorização do Congresso Nacional. 

O processo passou para o Senado por 367 votos a favor e 137 contra.
No Senado, foram 55 a favor e 22 contra. 

Dilma fica afastada por até seis meses, aguardando o julgamento do mérito do impeachment. 

A expectativa é que a votação final seja realizada em agosto, em meio às Olimpíadas. 

Para que o impeachment seja concretizado, são necessários 54 votos a favor, o que equivale a dois terços da Casa.