Protestos podem complicar o trânsito do Recife na manhã desta terça-feira

Cegonheiros se reúnem no Cais de Santa Rita a partir das 8h e taxistas prometem fazer carreata saindo da Beira Rio até a sede da Prefeitura do Recife às 10h

Dois protestos podem complicar o trânsito no Recife nesta terça-feira (24). A partir das 8h, membros do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Veículos Automotores e Correlatos no Estado de Pernambuco (SINTRAVE-PE) prometem trazer carretas e realizar um protesto e panfletagem no Cais de Santa Rita, no Bairro São José, área central do Recife.

Já às 10h, a Associação dos Profissionais de Táxi do Recife deve concentrar manifestantes na avenida Beira Rio, nas proximidades da ponte do Capunga, para sair em carreata, a partir das 11h, até a sede da Prefeitura da Cidade do Recife, no Bairro do Recife. O trajeto deve passar pelas avenidas Conde da Boa Vista, Guararapes, Dantas Barreto, Nossa Senhora do Carmo e Martins de Barros, além da ponte Buarque de Macedo, e chegar no prédio da PCR, na avenida Cais do Apolo.

A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) informou que não existe operação previamente organizada para atuar junto aos protestos. A assessoria ainda afirmou que, somente diante da realização das manifestações, o órgão tomará medidas para garantir o fluxo de veículos nas vias.

Cegonheiros

O objetivo do protesto do SINTRAVE-PE é sensibilizar a opinião pública e as autoridades do setor para a reivindicação dos cegonheiros do Estado de transportar os veículos produzidos pela fábrica da Fiat Chrysler, em Goiana, localizada na Zona da Mata Norte do Estado. Eles acusam a empresa de transportes e armazenagens Sada, sediada em Minas Gerais, de deter um monopólio sobre o transporte dos veículos da Fiat Chrysler, priorizando a mão de obra mineira e impedindo a participação dos profissionais pernambucanos no escoamento da produção.

Segundo o vice-presidente do SINTRAVE-PE, Luciano Pontes, a categoria conseguiu da Fiat Chrysler a autorização para realizar o transporte de parte dos veículos produzidos na fábrica de Goiana, mas a Sada não aceita um acordo. A Sada explicou, em nota para a imprensa, que o transporte de veículos Jeep da fábrica de Goiana utilizará as carretas que vêm carregadas da fábrica da Fiat em Betim, Minas Gerais, e que estas carretas voltarão com os Jeep Renegade para distribuição em cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

"A Sada esclarece que não existe nenhuma negociação com os supostos sindicatos dos cegonheiros e ainda ratifica que não há nenhum compromisso formal ou qualquer jurisdição que recomende a empresa a negociar as contratações de profissionais com sindicatos", se posiciona a empresa no comunicado.

Taxistas
Em contato com a reportagem do portal FolhaPE, o sindicato dos Taxistas de Pernambuco (SINDTAXIPE), que não é responsável pelo protesto da associação de taxistas do Recife, ressaltou que todas as reivindicações do grupo recifense são as mesmas já encaminhadas à Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), que são: a retirada dos veículos de outros municípios, estabelecimento de praças, não exigência de curso para taxistas com mais de 20 anos de experiência ou com mais de 70 anos de idade.

O curso em questão é uma exigência da Lei Federal nº 12.468/2011, a ser implantado no recadastramento anual dos taxistas a partir de 2016, e inclui noções de mecânica, elétrica e boas maneiras. Ele custa R$ 200 (diminuído para R$ 150, de acordo com a SINDTAXIPE) e tem 36 horas/aula de duração.

Para o presidente do SINDTAXIPE, Everaldo Menezes, se a associação prefere realizar o protesto, é um direito que ela tem e ele não quer interferir, no entanto, ele defende que todo o conteúdo da pauta já está registrado e entregue à PCR, que se comprometeu em atender às demandas. "Todas essas solicitações nós já fizemos à CTTU. Se eles não estão conseguindo esperar e acham que com um protesto vão agilizar isso, tudo bem. Mas, por tudo isso eu já venho brigando para a melhoria", disse Everaldo.

"Em relação ao curso, que é obrigatório sobre mecânica, elétrica e boas maneiras, tentamos ver essa questão de não exigir para os mais antigos, mas a prefeitura disse que não podia porque é Lei federal. Mesmo assim, nós conseguimos reduzir o preço, que era de R$ 200, para R$ 150. E vamos tentar baratear ainda mais", ressaltou Everaldo.

Sobre as praças, ele acredita que não seja possível, pois o município já conta com mais de 6 mil, e caso seja concebidas novas só incharia mais o sistema e dificultaria o trabalho de todos.

Fonte: Folha PE