Beijo forçado no carnaval deve ser proibido?

Se você fica chocada ao ler essa pergunta, parabéns. É exatamente isso o que se espera de pessoas com bom senso e respeito ao próximo. Mas nem todo mundo pensa assim…

Essa semana começou com a notícia de que um homem foi condenado a sete anos de prisão por causa de um beijo forçado no carnaval de Salvador. A discussão levantada era se a pena é muito alta ou não, o que realmente é importante ser discutido até para que se entenda o peso de algo assim na vida de uma vítima, mas a filiada à Rede Globo na Bahia foi mais longe e criou uma enquete para saber se as pessoas achavam que beijos forçados deveriam ser proibidos.


Como assim? Qualquer coisa forçada já é proibida. Ninguém pode forçar outra pessoa a fazer nada, a agir de forma que não quer ou se aproveitar de alguma informação para isso. Não é senso comum, não é sabedoria popular, é lei.

A pergunta é absurda, mas com o carnaval se aproximando é importante levantar essa bola: o outro não está ali à sua disposição. O outro não é parte de você, não lhe deve nada e não tem obrigação de fazer você feliz. Isso vale para o ano todo, para a vida toda, mas parece que algumas pessoas se esquecem disso ao primeiro canto de alalaô ouvido.


Quando somos crianças começamos a descobrir o que é o nosso corpo, onde ele acaba e começam as outras pessoas, as coisas ao redor e o mundo. E desde esse momento vamos nos sentindo indivíduos e notando os limites do que é nosso. Talvez algumas pessoas tenham pulado essa fase, talvez elas não entendam que o mundo não deve nada a elas. Mas o fato é: você precisa perguntar com todas as letras se pode fazer algo no corpo do outro.

Posso te beijar? Essa pergunta é tão gostosa de ser ouvida. E assim que você a escuta, quando você quer esse beijo, começa a sensação mais gostosa de todas: a expectativa do tal beijo – que muitas vezes é milhares de vezes melhor do que o beijo em si. E depois do beijo tem muitos outros “posso?” que devem ser ditos.


Não importa se é no carnaval de Salvador, no baile funk, no bloco moderninho de São Paulo ou no Carnaval de rua do Rio ou Recife. Não importa se a mulher está quase nua, se o cara está sem camisa ou se todo mundo tá caindo de bêbado. O outro não é você, não é parte do seu corpo e você não pode, nem por bom senso e respeito, nem pela lei, ultrapassar esse limite sem ser autorizado a isso.

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