Poucas derrapagens em "O Candidato Honesto"

E o trio campeão de bilheteria nacional Roberto Santucci (diretor), Paulo Cursino (roteirista) e Leando Hassum (ator) reuniram-se novamente para lançar mais um produto do humor nos cinemas. Com a estreia de “O Candidato Honesto” (Bra., 2014), o circuito exibidor verá nascer, nesta quinta-feira (2), mais um fenômeno que, arriscamos, deve levar, por baixo, dois milhões de espectadores aos cinemas.
    Razão 1: o timing. A produção que é uma sátira ao universo político brasileiro protagonizado por um presidenciável (Hassum), e que no final da campanha não consegue mais mentir, está sendo lançado há três dias do primeiro turno da real eleição para Presidente no País.


    Razão 2: o carisma. Hassum já possui uma legião de fãs fieis. A conquista foi feita não apenas pela tevê - “Zorra Total”, “Os Cara de Pau” -, mas no cinema - “Até que A Sorte nos Separe 1 e 2 (juntos conquistaram oito milhões de espectadores) -, e até na internet, onde seu Twitter é acompanhado por 1 milhão de seguidores.
    Razão 3 (e mais importante): o equilíbrio. “O Candidato Honesto” é, talvez, o menos afetado e mais coerente filme (dentro do que se propõe) feito pelo trio.
    Os acertos podem ser vistos no bom aproveitamento das piadas, tão fáceis de fazer - mas pouco aproveitadas pelo nosso cinema recente - por conta do descrédito crônico que o brasileiro possui pelos seus representantes eleitos (na verdade, piadas repetidas há quase três décadas de democracia no País).
    E há ainda performances memoráveis, como a de Prazeres Barbosa (Dona Justina), a avó do presidenciável João Ernesto; o deputado federal protestante; e o pai de santo Paizim do Bode (Jovane Nunes), que incorpora numa sessão de descarrego figuras como Ulysses Guimarães, Getúlio Vargas e Dercy Gonçalves.
    “O Candidato Honesto” vai bem quase até o final, mas derrapa quando assume a postura politicamente correta pela redenção do corrupto. O único discurso que quer parecer sério (e o ator até se dirige para o espectador da sala), soa o mais frágil do filme. É como se Hassum, ao final da fala cívica, fosse rir de todos que o ouviram. A falta de credibilidade neste momento sério da comédia pisca como um sinal de alerta contra a limitação do ator.
    De certa maneira, o filme encerra pra cima, sem dicas que haverá um “O Candidato Honesto 2”. Mas não duvidemos da criatividade do trio Santucci, Cursino, Hassum; nem dos milhões de espectadores que esta obra vai seduzir.

    Saiba mais
    Personagem - No filme, o presidenciável João Ernesto traz um histórico de vida semelhante ao de Lula. Ele veio do Nordeste para o Sudeste, lutou num sindicado por justiça e criou um partido político, cujo símbolo é um Pica-pau.

    Cotação: Regular
    Fonte: Folha PE