Em Goiana, eleitor se mostra dividido entre legado de Lula, Dilma e Eduardo

Construção da fábrica da Fiat em Goiana. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem

A 62 quilômetros do Recife, a cidade que recebeu a cobiçada fábrica da Fiat em Pernambuco está dividida quanto ao candidato que irá apoiar no segundo turno presidencial. O legado deixado pelo ex-presidente Lula e por Eduardo Campos ainda está bem vivo na memória dos moradores.

Goiana, na Mata Norte do Estado, recebe a presidente Dilma Rousseff (PT), postulante à reeleição, e o ex-presidente Lula (PT) na próxima terça-feira (21). A dupla petista visitará as instalações da obra e deve apropriar-se da paternidade do polo automotivo do Estado.

Em Goiana, no primeiro turno, Marina Silva (PSB) foi a presidenciável mais votada, com 49,65% dos votos. Dilma veio em segundo lugar, com 44,87%. Aécio teve pouco mais de 4%. O ex-governador Eduardo Campos (PSB), no entanto, ainda figurou como o principal cabo eleitoral na disputa.

Obras da FIAT em Goiana. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem.
“Votei em Marina porque ela era a candidata de Eduardo Campos, mas se ele não tivesse morrido meu voto seria dele”, contou a dona de casa Renata dos Santos, 19 anos, acrescentando que no segundo turno vai votar em Aécio Neves. “Marina apoiou ‘Aélcio’ então eu apoio também”, contou.
Renata dos Santos diz que vai votar em Aécio porque Marina declarou apoio ao candidato. Foto: BlogImagem.
A fábrica da Fiat deverá ser usada como trunfo do PT contra o adversário tucano. No primeiro turno, em Minas Gerais, o PSDB atacou o candidato ao governo mineiro Fernando Pimentel (PT) usando a empresa de carros.

Em um vídeo da campanha de Pimenta da Veiga, postulante do PSDB, o narrador diz que a ida de nova fábrica para Pernambuco foi culpa do petista Pimentel, quando ministro, mas não passou pelo Ministério do Desenvolvimento a decisão de fábrica da montadora no Brasil. Foi decisão dos executivos na carona pela guerra fiscal entre Minas e Pernambuco do então governador Eduardo Campos, que deu mais incentivos fiscais.

Para o mecânico do polo automotivo Gilberto Alvino, 21 anos, a chegada da Fiat em Goiana mudou a paisagem do município. Ele foi um dos que se empregou na nova fábrica. “Acho que Dilma será bem recebida. Meu desejo era que ela conversasse com os funcionários. Meu voto é nela”, comentou o jovem, que votou na petista no primeiro turno.

A opinião é compartilhada pela estagiária da Fiat, Marília Karla, 21. Apesar de se mostrar desiludida com a política, ela afirma que mantém o voto no PT. “Estou decepcionada com a política no Brasil, mas vendo o que Dilma e Lula fizeram em Pernambuco e em Goiana eu ainda acredito no PT e no dia 26 eu voto em Dilma”, contou a estudante.

A incoerência do voto neste segundo turno está simbolizado na declaração da dona de casa Cleonice Maria da Conceição, 36. Apesar de fazer panfletagem para o senador Aécio Neves, ela é firme ao declarar o voto em Dilma. “Voto nela porque tenho a sensação de que a vida mudou nos últimos tempos. A Fiat trouxe muitos empregos para Goiana, apesar da alta dos aluguéis na cidade”, conta.
O ex-governador Eduardo Campos permanece presente na memória dos moradores de Goiana como forte cabo eleitoral. “O povo de Goiana tem uma gratidão muito grande pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Através dele conseguimos trazer a fábrica para Goiana. Não votei em Eduardo por causa da tragédia, mas escolhi Marina e agora, no segundo turno, vou com Aécio. Se não acontecer o melhor, a gente tenta de novo daqui a quatro anos. Quem manda no Brasil é o povo com seu voto”, finalizou o vendedor José Rodrigues Vieira, 27 anos.

O PT organizou uma plenária, nessa quinta-feira (16), em que adiantou a tônica que será adotada durante a visita da presidenciável. Durante o ato político, o prefeito de Goiana, Fred Gadelha (PTB), pediu aos militantes reconhecimento e gratidão. Fred saiu em defesa do governo federal atribuindo à União a atração da Fiat para o Estado.

“Até o final deste ano, Goiana vai receber mais R$ 80 milhões em investimentos federais”, afirmou o prefeito.

O deputado federal João Paulo (PT) criticou duramente o tratamento que o PSB pernambucano dispensa à presidenta Dilma, ao longo da campanha presidencial. Segundo João Paulo, os socialistas não reconhecem os benefícios que as gestões petistas trouxeram para Pernambuco.

DADOS – O polo automotivo vai produzir anualmente até 200 mil veículos. O primeiro modelo será o Jeep Renegade, nova plataforma global da montadora que foi apresentada oficialmente na Suíça.

Todo o polo terá mais de R$ 7 bilhões em investimentos, somando a montadora e as sistemistas. Os fornecedores totalizam 16 fábricas. Além da montadora, a Fiat terá em Goiana um centro de treinamento, um centro de pesquisa e desenvolvimento, uma pista de testes e um campo de provas. Ao todo serão 8 mil trabalhadores no polo.

A Fiat Chrysler iniciou as contratações pernambucanas no ano passado e fechou 2013 com 350 funcionários. Segundo a companhia, operários no canteiro de obras em Goiana também estão sendo capacitados para que possam disputar uma das vagas oferecidas na Fiat, quando a fábrica começar a funcionar.











Fonte: Blog do Jamildo