A Fiat no centro da briga PT versus PSDB

Anuncia-se a vinda de Lula a Pernambuco para participar de um comício na cidade de Goiana onde a candidata Marina Silva foi amplamente majoritária no primeiro turno. A escolha do local tem um caráter simbólico. Trata-se do município que recebeu a segunda fábrica da Fiat, no Brasil, graças a uma decisão do próprio Lula, então presidente da República, que a direcionou para Pernambuco por meio de uma Medida Provisória. Até aí, nada a reparar no comportamento dos petistas. O que se questiona é a afirmação do senador Humberto Costa de que o candidato Aécio Neves “trabalhou contra” Pernambuco porque se esforçou para manter a fábrica em Minas. Isso é o tipo do discurso que não dá um voto. O que o governador de Minas fez à época foi exatamente aquilo que os mineiros esperavam dele: esforçar-se para segurar a fábrica em seu Estado. Dizer que ele “trabalhou contra” Pernambuco é uma forçada de barra que não cola.
O ex-presidente Lula ajudou
a trazer para Pernambuco a fábrica da Fiat por meio de uma Medida Provisória discutida previamente com o então governador Eduardo Campos

O PSB no governo Aécio
Se Aécio vencer a eleição presidencial, é certo como dois e dois são quatro que o PSB será chamado para participar do governo dele. Marina Silva já disse que não vai porque pretende dedicar-se integralmente à formação da Rede Sustentabilidade. Mas o partido tem outras opções como Beto Albuquerque (RS), a mais provável, e Júlio Delgado (MG). Se quiser fazer um gesto com Pernambuco, as opções seriam João Lyra Neto, Antônio Campos e Maurício Rands.

Defecções - Dilma levou um pedaço do PSB neste 2º turno da eleição presidencial. Fecharam com ela os governadores Ricardo Coutinho (PB) e Camilo Capiberibe (AP), o ex-presidente Roberto Amaral e a candidata derrotada ao governo da Bahia, Lídice de Mata. Gláuber Braga, deputado federal reeleito e presidente do partido no Rio de Janeiro, optou pela neutralidade.
Grito - A deputada reeleita Luiza Erundina (PSB-SP) acha que o PSB-PE portou-se de “forma inaceitável” em relação a Roberto Amaral, “alijado do partido e atingido em sua dignidade”.
Marca - Sem Roberto Amaral na cúpula do PSB, o partido ficou marcadamente pernambucano: Carlos Siqueira (presidente), Paulo Câmara (1º vice) e Geraldo Júlio (1º secretário).
Duelo - Roberto Amaral acha uma “traição” ao ideário do PSB o apoio do partido a Aécio Neves. Beto Albuquerque rebateu dizendo que ele nunca vestiu a camisa de Eduardo Campos.
Herança
- Roberto Leandro (foto), que foi o federal de Marina em Pernambuco, teve uma votação aquém do esperado e não se elegeu. O herdeiro dela foi mesmo Daniel Coelho (PSDB), mesmo não pertencendo mais ao PV. O tucano trabalhou pelo candidato do seu partido.

Vereança - Para tentar juntar os cacos em Pernambuco após o 2º turno da eleição presidencial, o PT vai exigir do deputado João Paulo que se candidate a vereador na capital pernambucana em 2016. Sua provável grande votação contribuiria para eleger mais dois ou três candidatos.
Vassourada - Por achar que seus auxiliares de 1º escalão não se engajaram na campanha à Câmara Federal do ex-secretário Tadeu Alencar (Casa Civil), o prefeito de Carpina, Carlinhos do Moinho (PSB), demitiu-os na última 6ª feira. Alencar, que se elegeu, obteve apenas 1.500 votos no município fazendo dobradinha com Kássia (PSB), filha do prefeito. Foi menos de 1/3 do que esperava.
Mais dois - O PSB ainda tem chance de eleger mais dois governadores no 2º turno: Ricardo Coutinho (PB) e Rodrigo Rollemberg (DF). Coutinho, que perdeu para Cássio Cunha Lima (PSDB) no 1º por apenas 28 mil votos, recebeu o apoio do 3º colocado, senador Vital do Rego e do senador eleito José Maranhão, ambos do PMDB. Já Rollemberg não quis apoio dos partidos que sobraram.